COLÉGIO MACHADO DE ASSIS
 
 
 

DICAS
A ansiedade da infância
Todo mundo conhece as sensações de ansiedade e, principalmente, a sua variação mais popular: o medo. Essa é uma reação natural em todos os seres humanos: a ansiedade e, em conseqüência, o medo são formas de proteção de que a natureza nos dotou. Imagine se, depois de sermos mordidos por uma cobra, não tivéssemos, naturalmente, medo desse tipo de animal. Provavelmente, correríamos o risco de nos envolvermos novamente com elas e de sermos, mais uma vez, mordidos, talvez não com tanta sorte como da primeira vez. O mesmo ocorre com a ansiedade: ela é o motor que nos faz enfrentar os desafios ou fugirmos deles quando eles são grandes demais para nós. Mas, apesar de essas reações fazerem parte da natureza humana, há situações em que elas se tornam um problema na vida das pessoas, especialmente na vida das crianças. Quando isso acontece? Vejamos alguns casos:

- Algumas crianças apresentam reações de ansiedade exageradas quando se separam, ainda que por pouco tempo, das figuras com quem têm maior apego: os pais. Elas ficam extremamente ansiosas quando a mãe sai de casa para ir ao trabalho e, geralmente, têm reações de choro e gritos e se agarram às roupas da mãe para que ela não saia. Essas crianças demoram muito a se acalmar nesse tipo de situação e costumam demonstrar sinais de ansiedade durante todo o tempo em que os pais permanecem longe delas (perguntando com freqüência quando eles voltam, alimentando pensamentos de que algo de ruim pode acontecer e eles nunca mais voltarão, etc.). - Nas fobias, as crianças demonstram um medo exagerado de algo ou de uma situação que, realisticamente, não mostra perigo (medo de insetos, de sair para a rua ou de ir à escola). Esses medos podem ter causas identificáveis, como experiências diretas das crianças com os elementos causadores do medo, ou ter sido adquiridos de outras formas, como, por exemplo, por ouvirem pessoas relatando casos envolvendo o objeto fóbico. - Outro transtorno de ansiedade é o chamado "transtorno obsessivo-compulsivo", que pode atingir tanto adultos como crianças. Ele se caracteriza por pensamentos ou imagens (chamados de obsessões) que as crianças não conseguem controlar, como, por exemplo, a idéia de que os pais vão morrer. Esses pensamentos "invadem" sua cabeça e as perturbam sem que consigam pará-los. Além disso, esse transtorno se caracteriza por comportamentos repetitivos chamados de compulsões. As crianças fazem rituais, como ordenar milimetricamente os brinquedos na estante do quarto, e entram em uma crise de ansiedade se percebem que as coisas estão "fora do lugar". - Finalmente, pode-se citar os casos de estresse pós-traumático, em que elas passam por uma situação extremamente traumática (um acidente, presenciar a morte de alguém conhecido ou uma agressão física) e passam a apresentar reações fortes de ansiedade, revivendo constantemente o evento, evitando toda e qualquer situação que esteja associada a ele e, por vezes, um mutismo temporário.
Alguns desses quadros têm a ver com as situações experienciadas pelas crianças. No entanto, o desenvolvimento de reações mais ansiosas pode se relacionar a outros fatores. Por exemplo, as mães superprotetoras e ansiosas podem desenvolver respostas de ansiedade nas crianças, porque lhes passam a falsa idéia de que tudo no mundo é perigoso. Com isso, as crianças começam a reagir ansiosamente a qualquer situação nova, ao mesmo tempo em que a superproteção impede que elas desenvolvam estratégias para enfrentar suas dificuldades, o que só aumenta a ansiedade. Um outro fator relacionado ao desenvolvimento de ansiedade em crianças é o autoconceito que elas constroem, fruto do conceito que os próprios pais fazem delas. Se uma criança ouve o tempo todo de seus pais que não sabe se defender, que não sabe se cuidar e que não consegue resolver os próprios problemas, acaba desenvolvendo uma crença de que realmente é incapaz, apresentando reações de ansiedade diante de situações de pressão. Esse fato demonstra a importância de os pais desenvolverem em seus filhos uma boa auto-estima e um bom autoconceito. Na infância, os transtornos de ansiedade devem ser tratados tão logo sejam identificados para que não causem problemas maiores na fase adulta. Por isso, assim que os pais desconfiarem que as crianças estão apresentando esses sinais, devem procurar um psicólogo ou um psiquiatra infantil para que seja realizada uma avaliação diagnóstica séria e completa. Essa atitude pode diminuir o sofrimento das crianças e ajudar os pais a lidar melhor com esse problema. * Os dados de pesquisas que constam nesse artigo foram retirados de: Dadds, M.R. & Barret, P.M. (2001) Practitioner review: psychological management of anxiety disorders in childhood. Journal of Psychology and Psychiatry, (42), pp. 999-1011.
Fonte: Portal Positivo - Andréia Schmidt